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Matemática, tecnologia e conexões: doutorandos encerram intercâmbio

O grupo de 15 doutorandos do IMPA desembarcou neste domingo (9), no Rio de Janeiro, depois de um mês de intercâmbio em Hangzhou, na China. Na bagagem, aprendizados, experiências e muitas histórias para contar. Aulas, seminários, grupos de pesquisa, visitas a universidades e atividades culturais fizeram parte da programação. 

“O intercâmbio foi muito proveitoso, tanto do ponto de vista acadêmico, quanto para conhecer novas culturas”, avalia Rafael Moreira.

O intercâmbio integra o Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, realizado em parceria com a CAPES e a Universidade de Beihang. Ao longo de quatro semanas, os doutorandos participaram de atividades acadêmicas e culturais, com foco em Matemática e Inteligência Artificial.

A programação terminou com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes brasileiros e chineses ao longo do intercâmbio. A cerimônia de encerramento foi precedida por uma mostra de pôsteres no hall da universidade. No Mathematics Camp, os brasileiros foram divididos em grupos com estudantes chineses e  produziram um pôster resumindo a pesquisa desenvolvida.

“Todo mundo viu o que todos os outros grupos estavam fazendo, ou pôde interagir e fazer perguntas sobre o trabalho dos outros grupos”, conta João Paulo Ferreira.

A cerimônia contou com a participação de Rui Oppermann, diretor de Relações Internacionais da CAPES. Ele destacou a importância da aproximação científica entre Brasil e China e citou o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, ao comentar a necessidade de o Brasil acompanhar o avanço científico chinês. “O professor Viana reconhece que o Brasil não pode ignorar o fato de que o centro principal da ciência planetária está se movendo para o leste. É na China, como ele diz, que o futuro está acontecendo hoje”, afirmou Oppermann.

Trocas que vão além da sala de aula 

Ao longo das quatro semanas, os doutorandos participaram de uma atividade acadêmica comum e foram divididos em grupos de pesquisa de acordo com suas áreas de interesse. Os grupos reuniam estudantes brasileiros e chineses e desenvolveram seminários, apresentações e discussões sobre diferentes temas matemáticos.

Para Ferreira, um dos diferenciais da experiência foi entrar em contato com novas perspectivas dentro de sua área de pesquisa. “O monitor do meu grupo, por exemplo, reuniu tópicos para a gente aprender, estudar em grupo, que tinham a ver com nossos interesses. Os interesses que manifestamos, não aqueles que o monitor possuía. Ele se esforçou para aprender o que todo mundo gostava. Essa foi uma prática muito interessante.”

O contato com pesquisadores chineses também abriu possibilidades de colaboração. Moreira conta que uma das experiências de pesquisa despertou o interesse dele e do colega Artur Amorim em continuar trabalhando juntos no tema. “Estamos pensando em escrever um paper relacionado às discussões que tivemos recentemente. Foi muito proveitoso ter essa nova visão de matemática que a gente teve. Aprendemos o jeito chinês de fazer matemática, que é um pouco diferente daqui.”

Além da Universidade de Beihang, onde os estudantes ficaram durante a maior parte do intercâmbio, o grupo visitou a Zhejiang Normal University, onde passou três dias e foi recebido por professores e estudantes locais.

Uma imersão na cultura chinesa

A programação acadêmica foi acompanhada por atividades de imersão na cultura chinesa, como aulas de Tai Chi e uma experiência dedicada à tradição do chá. “A cultura do chá para mim foi uma das principais atividades que realizamos. Aprendemos muito da cultura da China com essa experiência, muito do que fazem é fantástico”, afirma Moreira. Ferreira concorda.“Foi provavelmente a atividade que foi favorita de quase todo o grupo”.

A convivência com os estudantes e pesquisadores chineses também marcou a experiência. “Foi muito significativo. Ver a hospitalidade em cada lugar que íamos foi crucial para que o um mês fosse bem aproveitado e deixasse saudade”, comentou Vitória Aparecida.

Para a doutoranda, a abertura para a troca esteve presente tanto nas atividades acadêmicas quanto nos momentos de convivência. “As pessoas sempre eram receptivas a ajudar, a discutir Matemática, a sugerir passeios, a nos perguntar do Brasil, então acho que todos nos sentimos bem.”

A experiência também mudou a percepção de Ferreira sobre a China como destino acadêmico. Antes da viagem, o país não estava entre suas principais opções. Depois de um mês de convivência, passou a considerar a possibilidade de retornar.

“Agora a China é uma das maiores possibilidades para mim. Gostei bastante de conviver lá, de conhecer as pessoas, que são super acolhedoras, muito mais do que a gente esperava. Acho que todo mundo saiu com uma impressão muito positiva e com certeza voltaria para passar um tempo maior.”

A experiência dos doutorandos integra uma agenda mais ampla de aproximação do IMPA com instituições chinesas. Neste mês, estudantes do IMPA Tech embarcam para um semestre de intercâmbio na China, com seis alunos na Universidade de Pequim e outros seis na Universidade de Beihang.

Em novembro, será a vez de 26 medalhistas de ouro da 20ª OBMEP embarcarem para um intercâmbio de duas semanas na província de Zhejiang, com atividades acadêmicas, científicas e culturais.

As iniciativas ampliam as oportunidades de contato com instituições chinesas em diferentes etapas da formação, da educação básica à pós-graduação, e fortalecem a cooperação científica entre os dois países.