Matemática é poder: reflexões sobre cidadania encerram FestMat 2026
Como a matemática influencia decisões, oportunidades e formas de participação na sociedade? Esse questionamento marcou o encerramento da programação do FestMat 2026, neste domingo (30). A partir da parceria com o Programa Mentalidades Matemáticas, a versão dublada do documentário norte-americano “Counted Out – Matemática é poder”, teve sua estreia nacional no palco do Festival, na Axia Marina da Glória, e provocou reflexões sobre a importância da disciplina para o desenvolvimento pessoal e social.
O filme, dirigido por Vicki Abeles, mostra como os números moldam a sociedade, influenciando desde o orçamento familiar até a formulação de políticas públicas. A partir de demonstrações práticas e depoimentos, o documentário propõe uma reflexão sobre o enfrentamento de questões sociais, como desigualdade, mudanças climáticas e polarização política, pela perspectiva da matemática.
Após a exibição, uma mesa-redonda deu continuidade à discussão. Maira Costa, gerente pedagógica do Programa Mentalidades Matemáticas; Mariana de Paula, cofundadora e diretora executiva do Instituto Decodifica; e Gilson de Oliveira Penha, professor da SME-Rio, subiram ao palco para conversar com os visitantes sobre a relação das pessoas com a disciplina e sua importância para a vida em sociedade.
“Não gostar de matemática é uma coisa. Achar que não é capaz de aprender é outra. As crenças negativas são muito limitantes e acabam impedindo o desenvolvimento das pessoas. Todo mundo é capaz. A neurociência já provou que temos um cérebro que se desenvolve, conforme nossas experiências, a pensar matematicamente”, disse Maira.
O documentário apresentou histórias de pessoas que conseguiram melhorar de vida e superar barreiras ao transformar sua relação com a matemática. Penha trouxe uma experiência pessoal para a discussão.
“A matemática entrou na minha vida de forma negativa. Na época da escola, eu tinha um pouco de medo e me assustava com alguns assuntos. E, para não ter que lidar com comentários negativos dos colegas, omitia dos professores a minha dificuldade. Isso acabou gerando um trauma que só foi resolvido quando me mudei de escola e encontrei um professor que me acolheu”, contou.
A partir dos relatos, os participantes discutiram por que construir uma relação mais positiva e crítica com a matemática é essencial para o exercício da cidadania no presente e no futuro. Mariana trouxe uma perspectiva pessoal sobre o tema e destacou como o contato com a disciplina também pode ser marcado por experiências positivas.
“A matemática era um ponto de conexão com o meu pai. Ele sempre teve uma aproximação com os números, com a física, com o xadrez, e estimulava o meu raciocínio lógico. Essa relação fomentou uma boa relação com a disciplina. Por isso, me dedicava tanto na escola para ir bem em matemática”, disse.