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Matemática ajuda McEvoy a conquistar o recorde dos 50 m livre

Cameron McEvoy

Durante 16 anos, o recorde mundial dos 50 metros livre parecia intocável. Até que o australiano Cameron McEvoy resolveu tratar a natação como um problema matemático — e encontrou a solução: 20,88 segundos, novo recorde mundial, no China Open, em Shenzhen. A marca supera os 20,91 segundos do brasileiro César Cielo, estabelecidos em 2009, e chama atenção pela aplicação de princípios de otimização matemática ao treinamento esportivo.

Mais do que uma conquista esportiva, o feito de McEvoy se destaca por sua origem científica. Formado em matemática e física pela Griffith University e pelo Emmanuel College, o nadador desenvolveu uma abordagem própria de treinamento baseada na análise e potencialização da velocidade.

Tradicionalmente, a preparação na natação de alto rendimento privilegia grandes volumes de treino e longas distâncias. McEvoy seguiu outro caminho. Inspirado por modalidades como ciclismo de pista, atletismo de velocidade e escalada, passou a investigar variáveis fundamentais do desempenho, como tempo e potência. 

A partir dessa abordagem, reduziu drasticamente o volume de treino aquático, de cerca de 30 km semanais para apenas 2 km, e concentrou seus esforços em sessões de altíssima intensidade e curta duração. Fora da piscina, desenvolveu um programa específico de força e potência, ajustado aos cerca de 20 segundos de esforço máximo exigidos na prova.

O resultado foi direto – McEvoy baixou em 0,18 segundo sua melhor marca pessoal (21,06s, registrada em 2023) e passou a integrar o grupo de nadadores que romperam a barreira dos 21 segundos, ao lado de Cielo e do nadador francês Frédérick Bousquet.

Cielo parabenizou o novo recordista. McEvoy, campeão mundial em 2023 e ouro olímpico em 2024, afirmou ter tido o brasileiro como referência na carreira.