Jornalistas debatem desafios de traduzir ciência para o público
O webinário com as matérias ganhadoras na categoria Divulgação Científica encerrou nesta terça-feira (2) a 8ª edição do Prêmio IMPA de Jornalismo. Desmatamento ambiental, tecnologia e avanços na medicina foram temas abordados na conversa com os jornalistas Vinícius Sassine, da Folha de S. Paulo, Levi Guimarães, da TV Globo, e Lucas Machado, da Globonews. A mediação foi dos integrantes do júri de premiação, Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA, e Raphael Gomide, coordenador de assessoria de imprensa do instituto.
“É uma enorme alegria termos encontrado esse mecanismo para celebrar o jornalismo científico brasileiro. Quero enfatizar essa comunhão de interesses entre instituições acadêmicas como o IMPA e os meios de comunicação que levam conhecimento importante, verdadeiro, até a sociedade”, afirmou Viana na abertura do bate-papo.
Primeiro colocado na categoria Divulgação Científica, Vinícius Sassine, da Folha, destacou os bastidores da reportagem “Mudanças Climáticas na Amazônia”. Ele relembrou os desafios de documentar uma realidade tão complexa quanto a amazônica e ressaltou o caráter de denúncia do texto, que trouxe à público o panorama da “floresta pegando fogo em pé”. Sassine apontou ainda a importância da integração entre rigor científico e produção visual para traduzir a dimensão da Amazônia e seus desafios.
O jornalista também celebrou a pluralidade das produções premiadas. “Fiquei feliz de ver como três trabalhos tão distintos, no assunto, na abordagem, no modo de fazer. É sempre um aprendizado ver como outros colegas trabalham. Fico feliz em ver que o Prêmio tenha reconhecido trabalhos tão diferentes, é muito rico isso para o jornalismo”.
Responsável pela edição da reportagem premiada em segundo lugar, “Computador quântico: como funciona a tecnologia que promete revolucionar a vida na Terra”, exibida no Fantástico, da TV Globo, Levi Guimarães explorou os desafios de comunicar um tema altamente técnico e profundo ao grande público. O jornalista também comentou o surgimento da pauta e a tentativa de responder às perguntas que, em geral, perpassam a divulgação de conteúdo sobre ciência e tecnologia.
“É muito legal participar do Prêmio IMPA porque ele contempla uma coisa que nem todos os prêmios de jornalismo contemplam. Seria muito difícil inscrever essa série em outros prêmios amplos de jornalismo. Existir o Prêmio IMPA, focado nas categorias Matemática e Divulgação Científica, é muito bacana. Temos matérias importantíssimas, trabalhosas, difíceis de serem feitas, mas que ficam muitas vezes em outras prateleiras do jornalismo e não tem entrada em outros lugares.”
Lucas Machado, da GloboNews, celebrou seu primeiro prêmio jornalístico com a reportagem “Além do Diagnóstico – Dois curados do HIV”, terceiro lugar no Prêmio IMPA. Ele destacou a relevância do tema, marcado tanto pelo avanço científico quanto pelo impacto social. O jornalista reforçou a necessidade de reabrir o debate sobre o HIV na mídia, sobretudo como estratégia de prevenção e conscientização.
“Esse tema esteve afastado da mídia, do centro de discussão pelo preconceito, sempre foi um vírus associado à comunidade LGBT. Por isso queríamos fazer a reportagem. Mas, queríamos fazer isso além do que é falado. Quanto mais a gente falar sobre isso, mais a gente vai atingir esse objetivo de erradicação.”
Raphael Gomide aproveitou o encerramento da 8ª edição para agradecer aos participantes e destacar o impacto crescente da premiação. “Agradeço a todos vocês pelo trabalho. Parabéns a todos pelo trabalho de explicar a ciência e a nossa sociedade para nós mesmos. O objetivo do Prêmio é justamente reconhecer aqueles que fazem isso com tanto talento como vocês”.
Neste ano, o Prêmio IMPA de Jornalismo recebeu 224 inscrições, o segundo maior número de submissões da história do concurso, realizado desde 2018. O primeiro webinário desta edição, dedicado à categoria Matemática, ocorreu na última terça-feira (25). Confira aqui!