IMPA recebe exposição ‘Imaginários Racionais’, de Aubin Arroyo
Matemática, arte e imaginação se entrelaçam na exposição “Imaginários Racionais”, em cartaz no terceiro andar do IMPA. Criada pelo matemático mexicano e doutor pelo instituto Aubin Arroyo, a mostra convida o público a mergulhar em um universo visual onde estruturas abstratas e teorias complexas ganham forma, cor e expressão estética. A exposição integrou a programação do 35º Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM) como mais uma iniciativa de ampliar as possibilidades de visitação e diálogo com diferentes públicos.
O título da exposição “Imaginário Racionais” faz referência direta aos números racionais e imaginários — dois conjuntos fundamentais na matemática —, mas também sugere o encontro entre razão e imaginação, que é uma das direções do trabalho.
Exibida anteriormente em centros de pesquisa no Chile e na China, a exposição é fruto de uma longa trajetória de pesquisa de Arroyo na área de visualização de objetos e estruturas matemáticas. Com obras iniciadas ainda em 2014, e outras mais recentes, de 2024, o projeto vem sendo desenvolvido ao longo dos anos e combina arte, computação gráfica e muitos campos da matemática pura, como Superfícies Algébricas e Equações Diferenciais. No IMPA, a mostra ganhou uma versão especial, reunindo elementos inéditos.
“Fiquei muito empolgado de apresentar no IMPA, o lugar onde estudei. A intenção é mostrar que as matemáticas não são só uma computação, não são só uma coisa para profissionais, é uma coisa que você pode se apaixonar. É uma porta que abre um espaço, abre uma ponte para as pessoas se surpreenderem”, contou Arroyo.
Segundo Arroyo, o impulso inicial da mostra foi estético, uma ideia de “ver” a matemática. Mas a curiosidade não parou aí. O intuito foi não apenas tornar os objetos visualizáveis, mas também apresentá-los de forma bonita e interessante para o público.
Um exemplo marcante da exposição é a série de imagens sobre os “Atratores de Lorenz”, representações visuais de comportamentos caóticos que remetem ao famoso “efeito borboleta”. Esses objetos fazem parte de sua pesquisa de doutorado, realizada no IMPA sob orientação de Jacob Palis e Enrique Pujals.
“Minha pesquisa é ‘Como ver as matemáticas?’ Se já posso vê-las, por que não tentar fazer isso de forma interessante, bonita, bela?”, explicou Arroyo.
Josefa Genyle do Nascimento, professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), foi uma das visitantes que foram atraídas pela exposição. Participando pela primeira vez do Colóquio, ela aproveitou a oportunidade para visitar a mostra. Josefa, que é especialista em Folheações Holomorfas, conta que a imersão se relacionou com um estudo recente que estava analisando sobre estruturas projetivas.
“Eu aplico Folheações Holomorfas, Geometria Algébrica, para estudar estruturas projetivas em Superfícies de Riemann. Achei muito bacana os reflexos nas esferas na exposição. Não sei até onde eles se relacionam diretamente com o que eu trabalho, mas tudo achei bem rico”, contou.
Especialistas em matemática, como Josefa, não são o único público-alvo de Arroyo. Um dos pontos centrais da exposição é a ideia de abrir a matemática para todos — inclusive aqueles que não têm formação na área. A aposta é que a arte funcione como uma porta de entrada e desperte a curiosidade e a emoção de grupos diversos, até mesmo sobre conceitos matemáticos abstratos ou muito específicos. Para Arroyo, esse diálogo entre matemática e arte é uma forma de combater a ideia equivocada de que a matemática é “distante”.
“Muito se faz em torno da popularização da ciência, em particular popularização das matemáticas, que vai apontando para crianças, para pessoas mais novas, o que é maravilhoso, que é fundamental. Mas meu trabalho tenta também alcançar os adultos — arquitetos, designers, pessoas que se afastaram da matemática. Esse trabalho aponta para esse público pensar ‘olha só, que interessante, eu achava que a matemática nem tinha cores’. Bom, claro, tem cores”, explicou.
Arroyo tem uma visão otimista sobre os caminhos da visualização matemática e sua inserção no campo artístico. “Não é comum que haja uma exposição de matemática como essa, mas espero que se torne mais frequente. Eu espero, eu sei, eu tenho a certeza que vai se abrindo esse caminho e cada vez haverá mais pessoas no mundo interessadas nesta maneira de mostrar as matemáticas”.
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