FestMat transforma matemática em desafio, jogo e descoberta no Rio
“É dia de curtir o dia com a matemática.” A frase de Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), resume a proposta da quarta edição do Festival Nacional da Matemática (FestMat), que começou nesta quinta-feira (27) e segue até domingo (30), na Axia Marina da Glória, no Rio de Janeiro.
Na abertura do evento, Viana lembrou que a ideia do FestMat começou há quase dez anos, com o objetivo de mudar a percepção de que a matemática é distante do cotidiano. “Tem quase 10 anos que a gente começou com essa ideia maluca de ter um evento pra mostrar para todo mundo que a matemática é o maior barato, que a matemática é diversão. E é disso que se trata aqui, tá? Se trata de curtir o dia com a matemática”.
O secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Hugo Nepomuceno, destacou a parceria entre a Prefeitura e o IMPA e afirmou que iniciativas como o Festival reforçam o papel da cidade como referência nacional na área. “Acho que um evento como esse mostra o quanto a nossa cidade, verdadeiramente, está caminhando e se transformando na capital da matemática no Brasil”, afirmou.
Promovido pelo IMPA, o Festival reúne estudantes e professores em uma programação que apresenta a matemática de maneira lúdica e interativa. Jogos, desafios, experimentos e atividades exploram diferentes aspectos da disciplina e mostram que ela está presente para além da sala de aula.
Com uma proposta que alia conhecimento, diversão e experiências interativas, o Festival também atraiu visitantes de fora do Rio. Entre eles está a estudante Luara Tomás, do Colégio Cataguases, de Minas Gerais, que viajou com a escola para conhecer as atrações do FestMat. Para ela, a experiência tem ajudado a transformar a relação com a disciplina. “Não sou muito fã de matemática, mas aqui está sendo muito legal. Estou gostando muito. Acho que estamos tendo uma outra visão da matemática”, contou.
Matemática e inteligência artificial
Entre as mesas-redondas do Festival, a relação entre matemática e inteligência artificial ganhou destaque na discussão “Inteligência Artificial é Pop”, que reuniu o pesquisador do IMPA Paulo Orenstein, o cientista de projetos Lucas Nissenbaum e a pós-doc do instituto Cynthia Bortolotto. O encontro abordou como a matemática está na base dos sistemas de IA e como o avanço dessas tecnologias resulta da combinação entre modelos matemáticos, grandes volumes de dados e capacidade computacional.
Os pesquisadores falaram sobre a importância dos dados e da capacidade computacional para o avanço dos modelos, além das aplicações da tecnologia em áreas como medicina, tradução, produção artística e esporte. A conversa também trouxe uma reflexão sobre os impactos da IA na educação e sobre a necessidade de repensar o ensino da matemática diante de ferramentas capazes de realizar tarefas cada vez mais complexas.
A programação também levou ao palco o tema “O mistério da turbulência: quando a natureza se torna caótica”, com o pesquisador do IMPA Alexei Mailybaev. Ele explicou como grandes vórtices se quebram em movimentos cada vez menores, transferindo energia até que ela seja dissipada. Presente no ar, nos rios e nos oceanos, a turbulência afeta fenômenos como a movimentação de aviões, carros e navios e a previsão do tempo. Apesar de estar por toda parte, o fenômeno ainda é difícil de descrever matematicamente. “Mesmo parecendo que o problema não é tão complicado, a complexidade que está dentro dela é tão alta que nós nem podemos resolver com o intelecto, nem com o computador hoje em dia”, afirmou.
Caleb de Sousa, medalhista da OBMEP e estudante da escola Clélia Nanci, de São Gonçalo, a palestra foi super empolgante. “É muito legal pensar na importância dessas equações matemáticas no mundo em que vivemos”, avaliou.
Com programação gratuita e atividades para diferentes idades, o FestMat segue até domingo (30), na Axia Marina da Glória. A iniciativa do IMPA busca aproximar a matemática do público por meio de jogos, experiências, palestras e atividades interativas, mostrando que a disciplina pode ser explorada de forma criativa, acessível e presente em diferentes situações do cotidiano.







