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Do Piauí ao Rio: alunos viajam de avião pela 1ª vez para FestMat

Participar do Festival Nacional da Matemática (FestMat) foi, para um grupo de alunos do Instituto Educacional Mahatma Gandhi, no Piauí, a oportunidade de viajar pela primeira vez de avião. Os 12 estudantes fazem parte dos mais de 14 mil visitantes que estiveram Festival nos dois primeiros dias do evento. 

Daniel Martins, um dos estudantes do grupo e medalhista de prata da OBMEP, destacou que a Olimpíada foi fundamental para aproximá-lo da matemática. “Sempre fui muito bom em humanas, porém nunca fui tão ligado nesse lado da matemática. Mas a OBMEP me ajudou muito a ver como a gente consegue aplicar a matemática na prática, no nosso dia a dia. Foi uma prova que realmente me atraiu e representou uma virada de chave”, contou.

No FestMat, Daniel encontrou justamente o que mais gosta: a aplicação do que é ensinado na sala de aula. “O Festival tem várias atrações, mostrando como a álgebra é aplicada na prática. Ou seja, tem tudo aquilo que você bota no papel”, explicou.

Uma mobilização para chegar ao festival

A participação dos estudantes do Instituto Educacional Mahatma Gandhi, no FestMat,  começou a ser planejada meses antes da viagem. A iniciativa partiu do professor de matemática da escola, Marcos Vinicius Lima, que já conhecia o evento e propôs levar um grupo de alunos da escola.  

“O professor chegou para mim e disse que tinha muita vontade de trazer alguns alunos que tinham destaque dentro da escola, um destaque acadêmico”, disse Cristiany Siqueira Dantas, diretora da instituição.

A partir da ideia, a escola começou a estruturar o projeto, envolvendo famílias, profissionais da instituição e a direção. O trabalho começou em maio e mobilizou diferentes pessoas para tornar a viagem possível.

“É um projeto ousado, porque nós mobilizamos uma cidade para que esses meninos pudessem estar aqui. Nós fomos atrás de ajuda para trazê-los aqui”, afirmou Cristiany.

Para os estudantes, a mobilização resultou não apenas na participação no Festival, mas também na possibilidade de conhecer outro estado e, para alguns, entrar em um avião pela primeira vez. No Rio, os alunos puderam ampliar o contato com a matemática e descobrir novas possibilidades para aquilo que já aprendem em sala de aula.

Matemática e ecologia, IA e pesquisa científica em debate

Nesta sexta-feira (28), além de visitar os seis mundos da matemática, o público do FestMat pôde acompanhar a apresentação do pesquisador do IMPA Pavel Petrov, que abordou o tema “Matemática e ecologia: modelagem de ruído acústico no oceano”. Petrov destacou a importância da acústica de ecossistemas para a proteção dos oceanos e da fauna marinha diante dos impactos causados pelo ruído antropogênico. O pesquisador também apresentou como técnicas da matemática aplicada e da computação podem ser utilizadas para modelar a propagação do som em grandes áreas oceânicas e realizar simulações de campos acústicos provenientes de múltiplas fontes.

“O som é o principal canal de informações para animais do mar. É muito importante para nós entender como a poluição sonora pode impactá-los, precisamos quantificar isso. Então, calcular os níveis de barulho e quantificar impacto biológico, impacto ecológico, impacto que nós fazemos nos ecossistemas do mar. Quantificar é o primeiro passo.” 

Outra atração do palco foi a mesa redonda. “Como transformar estudantes em pesquisadores? – Experiência do Math En Jeans”. O bate-papo mediado por Isabela Alcantara, analista de educação da Firjan Sesi, mostrou como a pesquisa em Matemática desperta curiosidade, autonomia e protagonismo juvenil. Além disso, os participantes exploraram os impactos da iniciativa do Math En Jeans nas experiências acadêmicas e sociais do grupo.  

“A Firjan teve o diferencial de trazer essa metodologia para o Rio de Janeiro. A gente quer ampliar esse conhecimento e mostrar que os estudantes, todos os estudantes que vêm aqui podem fazer parte desse clube da matemática”, explicou Isabela. 

A mesa-redonda “Inteligência artificial na formação de programadores: ensino, mercado e protagonismo estudantil” mostrou as experiências do NAVE (Núcleo Avançado em Educação) no ensino técnico em que a IA é utilizada no planejamento de aulas, na produção de materiais e na mediação da aprendizagem por meio de tutores inteligentes. 

A IA também esteve em debate na palestra do professor Krerley Oliveira, da Universidade Federal de Alagoas. Com o tema “SoberanIA, EconomIA e ExcelêncIA: matemática, ciência e inteligência artificial na formação de talentos”, a palestra discutiu como a revolução da IA redefine os desafios de soberania, desenvolvimento econômico e formação de excelência no Brasil.

“Já que essa tecnologia existe, quem é que controla a infraestrutura que está gerenciando esses dados e produzindo essa inteligência? Quem são os grandes controladores dessas tecnologias que estão aparecendo hoje? Precisamos pensar sobre isso”, afirmou.

Krerley também apresentou caminhos para formar jovens talentos em matemática, ciência e computação, conectando iniciativas como NUTI, NES, PETI e SigmaCamp.

“Espero não ter deixado ninguém com sono”. A frase final do professor Pedro Roitman encerrou a palestra “Histórias para despertar matemáticos(as) adormecidos(as)”. Colunista da revista Ciência Hoje, Roitman deixou todo mundo bem acordado ao apresentar enigmas e desafios matemáticos, envolvendo geometria, probabilidade, números e topologia. O clima leve animou o público que prestigiou a atração.