Do MOI ao Profmat: ‘resgatei a confiança’, relata professora
A matemática pode ser acolhedora, criativa e transformadora — especialmente quando abre caminhos para que meninas e mulheres ocupem esses espaços. Essa é a experiência da professora Fabiana Rodrigues, integrante do Meninas Olímpicas do IMPA (MOI), iniciativa que incentiva a presença feminina na matemática e nas ciências. Recentemente aprovada no Profmat (Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional), a docente reflete sobre o novo capítulo na carreira e o impacto do MOI na trajetória dela e das estudantes.
Professora de matemática há quase 20 anos – atualmente no Instituto de Educação Carmela Dutra — Fabiana é professora do MOI desde 2022. Foi a partir do contato com o projeto que ela enxergou uma possibilidade de incentivar o protagonismo feminino na educação, nas novas tecnologias e no pensamento matemático.“O MOI teve um papel muito importante na minha vida pessoal e na minha trajetória acadêmica. Participar do projeto me fez resgatar a confiança em mim mesma, reacender o desejo em estudar e acreditar que ainda era possível sonhar e avançar profissionalmente”.
Fabiana destaca a oportunidade de trabalhar a matemática de forma diferente da lógica tradicional aplicada nas salas de aula.“Não existe aquela preocupação de escola com nota, com inúmeros protocolos. Dentro do MOI, dá para desenvolver o potencial das meninas ao máximo”.
Os impactos do projeto também são visíveis na vida das estudantes. A professora relata que alunas levaram experiências vividas para entrevistas de emprego e práticas profissionais, utilizando atividades desenvolvidas como referência em planos de aula. “Elas têm se sentido capazes de tentar um vestibular, uma boa universidade, de buscar um emprego. Isso tem feito muita diferença também na vida delas”.
Além de transformar a relação das meninas com a matemática, o MOI também foi decisivo para que Fabiana retomasse e ampliasse seus próprios estudos. Após quase duas décadas formada e um período dedicado à família, o ambiente de incentivo coletivo reacendeu o desejo de voltar à vida acadêmica. “Um dos frutos mais marcantes nesse processo na minha vida foi a aprovação no ProfMat no ano de 2025 para iniciar em 2026, que representa não apenas uma conquista acadêmica, mas também a certeza de que a educação tem o poder de transformar trajetórias, abrir caminhos e fortalecer sonhos”, contou.
Para ela, o principal legado do projeto está na mensagem transmitida às meninas que participam das atividades. “O lugar de uma menina é exatamente onde ela quiser. A menina pode ter a profissão que quiser, pode tentar aprender novas tecnologias e avançar”.