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‘CBM é exemplo do que o IMPA faz de melhor’, diz Marcelo Viana

”O Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM) é exemplo do que o IMPA faz de melhor: crescer e ampliar o escopo de atuação sem abrir mão da qualidade”, destacou o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, durante a abertura da 35ª edição do evento. Com quase 1500 participantes, o 35º CBM começou nesta segunda-feira (28) e vai até sexta (30) na sede do instituto, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

Realizado desde 1957, o encontro reúne pesquisadores, professores e estudantes do Brasil e do mundo - o que reafirma a vocação do Colóquio para a formação, o diálogo e a construção coletiva da comunidade matemática.“Desde sua criação, o Colóquio tem sido um presente do IMPA para a comunidade matemática brasileira, expressando o compromisso institucional com a ciência, a formação e o futuro da matemática no país”, disse o diretor-adjunto do IMPA e coordenador-geral do evento, Jorge Vitório Pereira, ao dar as boas-vindas ao público que lotou os auditórios do IMPA no primeiro dia do encontro.

Jorge Vitório lembrou ainda sua relação com o CBM, que começou ainda na graduação, quando, em 1995, participou pela primeira vez como estudante. “Recordo até hoje a sensação de espanto e entusiasmo ao tentar acompanhar palestras sobre temas que, para mim, soavam quase esotéricos. O Colóquio foi decisivo na minha formação”, disse o pesquisador para uma plateia repleta de jovens.

Neste ano, o Colóquio faz uma homenagem ao pesquisador Jacob Palis, falecido em maio. Um dos principais nomes da matemática brasileira e referência mundial em Sistemas Dinâmicos, Palis foi diretor-geral do IMPA e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Segundo Viana, sob influência do pesquisador, o Colóquio veio de Poços de Caldas para o IMPA, nos anos 1980, o que garantiu a ampliação do caráter internacional do evento.

Doutorando da UFG (Universidade Federal de Goiás), o colombiano Gerardo Erazo participa pela primeira vez do CBM e afirma estar feliz com a oportunidade de estar no instituto. “O IMPA é uma referência em nível internacional, conheci o instituto desde que estava na Colômbia, e sempre tive vontade de conhecer. Minha expectativa é aprender muito, pois há muitos pesquisadores de alto nível.”

Já Isabelly Martins, graduanda da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), vê o evento como uma oportunidade para conhecer diferentes áreas. “Já estou gostando muito dessa experiência. É uma oportunidade de ver além do que vejo na graduação e saber como os assuntos podem se apresentar e complicar”, destacou a estudante.

Para Jorge Vitório, a atual edição ‘reflete a riqueza, a diversidade e a originalidade da contribuição brasileira à matemática’’. “Que esta semana de palestras, cursos e encontros continue cumprindo o papel que o evento sempre teve: formar, inspirar, aproximar”, concluiu.

José Seade realiza a primeira plenária do 35º CBMPesquisador da Universidad Nacional Autónoma de México, José Seade realizou a primeira plenária do 35º CBM nesta segunda-feira (28). Especialista nas áreas de Topologia, Teoria das Singularidades e Sistemas Dinâmicos, o matemático começou a apresentação falando da importância do IMPA em sua formação.

“Parte essencial do meu desenvolvimento como matemático é graças ao IMPA e, particularmente, ao Jacob Palis e a Cidinha [Maria Aparecida Soares Ruas]. Quando estava recém graduado, vinha aqui quase todo ano, convidado por Jacob –, um grupo de mexicanos e eu. Foi aí que o time de Sistemas Dinâmicos do México ganhou muita força. A contribuição do IMPA foi fundamental”, destacou o pesquisador. 

Com o tema “Complex Kleinian groups: geometry and dynamics’’, Seade lembrou que os grupos kleinianos são grupos discretos de transformações de Möbius atuando por automorfismos na esfera de Riemann S2 e discutiu como generalizar este conceito clássico e fundamental para dimensões superiores. 

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