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Alunos do IMPA Tech apresentam projeto em sessão temática do CBM

Os graduandos do IMPA Tech estão no 35º Colóquio Brasileiro de Matemática como público e também como palestrantes. Pedro Henrique Reis e Marcos Abílio, da turma 2024, dividiram as experiências que tiveram durante o Curso de Verão do IMPA, na sessão temática ”Reproduzindo Resultados em Computação Gráfica”, coordenada pelo Visgraf (Laboratório de Computação Gráfica do IMPA). A professora Asla Sá também participou da sessão.  

Os estudantes apresentaram como encarar os problemas que existem na computação gráfica enquanto adaptam algoritmos de papers clássicos. Além de explicar o funcionamento desses algoritmos, eles falaram sobre o  processo de tomada de decisões para a adaptação de artigos nas linguagens de programação dos dias atuais. Para isso, técnicas básicas como leitura de imagens e aplicações de efeitos monocromáticos foram incorporadas a algoritmos clássicos de meio tom digital. Também foram mostrados teoremas matemáticos como curvas de recobrimento de espaço.

“Participar do Colóquio foi uma experiência única e muito especial para mim. Tivemos a oportunidade de apresentar o trabalho de Computação Gráfica, no qual eu e mais alguns alunos do IMPA Tech desenvolvemos durante o Verão. Foi uma experiência valiosa de mostrar a presença do IMPA Tech, mostrar o que aprendemos e trocar conhecimentos. Apresentamos para estudantes e pesquisadores interessados e engajados, tornando a experiência muito gratificante. Não esperava uma oportunidade assim tão cedo, então isso me motiva ainda mais a seguir aprendendo”, contou Reis.

 

Pedro Henrique Reis


A ideia foi replicar dois papers importantes na área de Computação Gráfica e torná-los acessíveis publicamente. Um deles foi lançado em 1991 pelos pesquisadores Luiz Velho (IMPA) e Jonas de Miranda Gomes e explora o halftone digital. 

O outro é um paper de Voronoi Stippling, que trabalha no pontilhamento com o Voronoi. Esse segundo projeto levou a criação de um website em que os usuários podem fazer o upload de um arquivo e podem personalizar o número de pontos e o número de interações para a revitalização dos artigos. 

“Acabamos pegando muita inspiração do Curso de Verão, pois criamos noções de manipulação pré e pós-processamento de imagens, como, por exemplo, formatação das imagens PNG e JPEG. Também aprendemos sobre conversão de imagens para a matriz para poder fazer esse processamento e meios de desenvolvimento e reaplicação dos algoritmos. No caso desse projeto, nós pegamos esses algoritmos clássicos e reaplicamos em linguagem Python e entregamos isso em websites e bibliotecas para uso de todo mundo”, explicou Abílio.

Pela primeira vez no IMPA, Fernanda Domingues, aluna de graduação da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), acompanhou a sessão temática de Computação Gráfica para aprender sobre um assunto que ainda não tinha tido contato na faculdade. “Alguns termos eu ainda não conheço bem, mas é muito legal ver a aplicação feita aqui. Achei muito legal o trabalho dos meninos,  o resultado do minicurso.  É muito legal ver o que o IMPA está fazendo. Então, fico muito satisfeita, muito feliz por eles”, disse.

Asla Sá faz palestra “Visualização de Dados: um mergulho teórico e uma proposta de avanço”

Asla Sá


A professora da graduação Asla Sá também participou da sessão temática “Visão e Computação Gráfica” nesta terça-feira (29). A professora explorou novas gramáticas de visualização de dados para geração de gráficos e apresentou uma proposta implementação experimental, o Vizagrams. A principal contribuição do modelo é o aumento da expressividade das gramáticas.

“Na gramática de gráficos, nós partimos de uma unidade, que é o gráfico, e temos todas as coisas que estão embaixo do gráfico. O que acontece? Não manipulamos esse gráfico, ele é a raiz da questão, ele não pode ser manipulado. No nosso caso, o que a gente faz aqui é uma recursividade. Pegamos esse gráfico, chamamos ele de marca, e o próprio gráfico é uma marca. Ao chamar o gráfico de marca, você consegue manipular, girar, e fazer tudo o que você faz com qualquer marca. Então, teremos as suas marcas e as suas árvores de marcas”, explicou Asla. 

Fruto do trabalho de doutorado do estudante Davi Salles, que contou com a orientação de Asla, a palestra contou com uma profunda pesquisa histórico-teórica sobre as propostas de formalização da montagem de gráficos estatísticos no meio acadêmico. Entre elas, o trabalho de Wilkinson na Grammar of Graphics (GoG), que fundamentou ferramentas como ggplot2 e Vega-Lite.

O resultado foi a investigação de novos caminhos para a visualização de dados que tendam para uma maior expressividade. A pesquisa também concebeu a visualização de dados como diagramas, unificando os conceitos de diagramas e visualização em um único modelo teórico.

Jonas Santos Siqueira é aluno de mestrado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) e da USP (Universidade de São Paulo) e está visitando o Rio de Janeiro pela primeira vez para participar do 35º CBM. “Nunca tinha vindo a um Colóquio de Matemática assim desse tamanho, esse é meu primeiro evento acadêmico também. O que mais me chamou a atenção nessa sessão temática foi a apresentação sobre métodos de visualização. Fiquei intrigado porque não sabia que tinha tanta teoria por trás do desenvolvimento de um gráfico de barras. Também é bem legal saber que tudo isso começou com uma proposta de um trabalho de doutorado, o autor tinha um probleminha, foi lá e resolveu. Isso trouxe alguma inspiração e também perspectiva nova do que eu posso fazer agora em projetos futuros, ainda mais para minha dissertação”, contou Siqueira.

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