AfroGames e IMPA lançam jogo educativo no FestMat
Uma brincadeira, um desafio, uma partida com amigos ou algumas horas diante de um jogo digital podem parecer muito distantes da matemática. Mas, antes mesmo de perceber ou colocar um número no papel, o raciocínio matemático já está em ação. É preciso calcular possibilidades, reconhecer padrões, elaborar estratégias, tomar decisões e encontrar soluções. A proposta dialoga diretamente com a essência do Festival Nacional da Matemática: aproximar a disciplina das pessoas de maneira descomplicada, divertida e acessível. Por isso, o AfroGames Studios, em parceria com o IMPA, desenvolveu um jogo inédito que foi apresentado pela primeira vez no FestMat.
O “Mundo da Matemática” reúne 12 minijogos divididos em seis temas, convidando os jogadores a explorar, pensar e se desafiar enquanto aprendem. A proposta busca transformar conceitos matemáticos em experiências lúdicas. Desde o primeiro dia do FestMat, o game esteve disponível na Arena Gamer e os participantes puderam testar desafios e experimentar, na prática, como os jogos podem estimular o raciocínio matemático.
A parceria entre as instituições começou em 2024 e, desde então, vem ganhando novos formatos. Depois da participação na Arena Gamer da edição anterior do FestMat, o projeto avançou para a criação de um jogo próprio. “Essa parceria com o IMPA, desde 2024, tem sido cada vez mais frutífera, crescendo cada vez mais. Quando a gente soma, a gente sabe que a gente multiplica conhecimento, multiplica os saberes e depois a gente divide, compartilha ele com os nossos jovens”, afirmou Luca Alves, coordenador do AfroGames.
Palestras destacam relação dos jogos com a matemática
No domingo (30), Luca e as artistas de jogos Beatriz de Souza e Polyana Correia apresentaram os bastidores da criação na palestra “Desenvolvendo o ‘Mundo da Matemática – o jogo”. “É muito enriquecedor para a gente, como instituição AfroReggae, estar presente nesse espaço, porque valida tudo que a gente tem feito dentro desse setor dos jogos e com a matemática”, disse Luca.
Mais do que apresentar um novo jogo, o painel mostrou o potencial dessa união para levar a matemática a diferentes públicos. A expectativa é que a iniciativa possa chegar a escolas e famílias de diferentes regiões do país, funcionando como uma ferramenta de apoio ao ensino e à aprendizagem.
“Estou muito confiante que esse jogo vai conseguir rodar o Brasil inteiro para apoiar escolas públicas, escolas particulares, crianças, responsáveis que querem levar matemática para dentro de suas casas, para dentro de suas salas de aula.”
Luca contou que um dos momentos que mais o surpreendeu foi justamente a participação das crianças no desafio do “Jogo do 15”. Mesmo sendo uma atividade que exige atenção, estratégia e raciocínio, os jovens conseguiram encontrar a solução rapidamente.
“A gente viu que muitas pessoas vieram com dificuldade com o Jogo do 15, porque é um jogo que, realmente, você vai tendo que pensar e raciocinar. […] Aqui no palco, a gente não esperava que eles fossem conseguir concluir tão rapidamente. Isso mostra que o evento, de fato, é um sucesso, não só na interação do público, mas também no público que está realmente engajado em querer aprender e se desafiar. E eu acho que esse é o principal”, concluiu.
Na programação de domingo, Luca também participou da mesa-redonda “Cultura gamer na Educação: Jogos como ferramenta de aprendizagem” com Danilo Costa, diretor-executivo do Grupo Cultural AfroReggae; Gabriela Sakae, Sr. Manager de Sustentabilidade e Comunicação da IHS Latam; e Karla Soares, Diretora Social do Grupo Cultural AfroReggae. Eles trocaram experiências e visões sobre a importância da educação lúdica centrada para o aprimoramento de soft skills e desenvolvimento de novas competências e habilidades para a era digital e criativa.
Já na palestra “A matemática do jogo”, Marcelo de Vasconcellos, pesquisador e escritor da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), convidou o público a olhar para os jogos de uma maneira diferente. Mais do que ferramentas de entretenimento, eles podem ensinar, comunicar ideias e ajudar a compreender problemas complexos.
Por trás das regras que determinam o que pode ou não acontecer, dos sistemas que equilibram desafios e recompensas, das probabilidades que criam suspense e das estratégias necessárias para vencer, existe muita matemática.
“O jogo se sustenta em muito raciocínio matemático. A matemática é útil até para ganhar uma partida”, destacou Vasconcellos, mostrando como essas habilidades aparecem naturalmente durante uma partida. Em um jogo estratégico, por exemplo, o jogador precisa analisar a melhor maneira de organizar recursos e tomar decisões. Em um jogo de memória, busca padrões e tenta compreender a lógica por trás da disposição das peças.
E não é diferente nos jogos digitais. Enquanto alguém organiza uma cidade virtual, administra recursos ou tenta encontrar a melhor estratégia para avançar, está realizando cálculos e analisando possibilidades, muitas vezes sem sequer se dar conta de que está usando ferramentas matemáticas.
