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6 de February de 2019, 10:08h

Mulher semilendária, Hipátia foi a primeira matemática

Hipátia

Gravura de Hipátia feita por Elbert Hubbard em 1908 – Reprodução

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

É celebrada como a primeira matemática da História. Mulher de forte personalidade que, numa sociedade masculinizada, reuniu à sua volta um círculo brilhante de discípulos que a
admiravam. Quem foi Hipátia de Alexandria?
As fontes históricas são escassas. Pior, sua vida e as trágicas circunstâncias de sua morte fizeram dela ícone de causas diversas, até contraditórias, nas quais ela, provavelmente, não
se reconheceria. A lenda ocultou os fatos.

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Para os filósofos pagãos da fase final do império romano, representou a resistência ao cristianismo. Na Idade Média, foi convertida em símbolo do cristianismo: aspectos de sua vida
foram incorporados à lenda de Santa Catarina de Alexandria (que dá nome ao estado brasileiro). Para os pensadores do Iluminismo, simbolizou a oposição ao cristianismo. No século
20, foi reinventada como precursora do feminismo.
Hipátia foi assassinada em 415, mas o ano do seu nascimento não é conhecido: estima-se que tenha sido por volta de 355. Era filha de Téon de Alexandria, matemático e astrônomo de
renome e diretor do Mouseion, prestigiosa escola de elite onde era ensinada a filosofia neoplatônica.
Boa parte do pouco que sabemos sobre Hipátia chegou pelos escritos de seus discípulos. Ela atraía admiração generalizada, tanto pelos ensinamentos quanto pela autoridade moral, inclusive a frugalidade de sua vida e vestimenta, e a virgindade que teria mantido durante toda a vida.
Não há evidências de que alguma vez tenha deixado Alexandria. Não era um ambiente democrático: em consonância com o pensamento de Platão, professores e alunos do Mouseion evitavam contato com as massas, que consideravam incapazes de compreender o conhecimento elevado.
Acredita-se que parte do “Almagesto” do astrônomo Ptolomeu que chegou até nós é de autoria de Hipátia. Ela também escreveu comentários à “Aritmética” de Diofanto e aos trabalhos de Apolônio de Perga sobre seções cônicas, que se perderam.

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