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8 de February de 2019, 15:50h

Maria Celano e Rosana Silva: três décadas de IMPA

Quando Maria Celano trocou de endereço profissional, em julho de 1985, o IMPA já ocupava a sede do Jardim Botânico. Em vez do barulho do trânsito pesado nas cercanias da sede administrativa da Prefeitura do Rio (Cidade Nova), onde trabalhava na Secretaria de Educação, ela passou a ouvir o som dos pássaros e do vento. Já para Rosana de Souza Silva, moradora das cercanias da Estrada Dona Castorina, 110, que passou a integrar o grupo de funcionários no ano seguinte, o silêncio era algo natural.

Ao longo das últimas três décadas, as duas se encontraram incontáveis vezes nos corredores do IMPA. Nesta sexta-feira, tomaram café da manhã juntas, em companhia de dezenas dos colegas de trabalho que lotaram a Sala dos Pesquisadores durante boa parte da manhã. Não faltaram abraços, fotografias e perguntas sobre os planos pós-aposentadoria.

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Rosana já tem compromisso para a primeira segunda-feira sem responsabilidade com o trabalho formal: o encontro, exatamente às 11h50, na frente do IMPA, com uma colega de trabalho. Elas caminharão rumo à Vista Chinesa. 

“Não sei se vou chegar até lá. É um desafio. Preciso fazer atividade física”, diz, contando que aproveitará o tempo para buscar uma vida mais saudável. Também ajudará a irmã a cuidar do neto. Tem duas filhas, uma formada em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF) e outra que acabou de ingressar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 

No IMPA, Rosana ingressou na área de Serviços Gerais, como funcionária da limpeza. Tempos depois, tornou-se telefonista. Após cinco anos na função, na gestão do então diretor-geral Jacob Palis, encarou o desafio de trabalhar na secretaria dos pesquisadores. Lá ficou tempo suficiente para acompanhar mudanças até na própria área, atualmente chamada de Divisão de Planejamento e Projetos. O que mais vai deixar saudade? “Com certeza, sentirei falta do companheirismo dos colegas de trabalho.” 

Maria Celano que o diga. Em três décadas, construiu inúmeras amizades no IMPA. “Quando o instituto era menor, estávamos sempre muito em contato: funcionários, pesquisadores, alunos. Saíamos juntos, programávamos festas. Cheguei até a organizar aulas de dança de salão”, recorda ela, que fez Licenciatura em Português/Inglês e chegou a trabalhar por um curto período de tempo como professora do Ensino Básico.

Ao IMPA, veio a convite do cunhado, o pesquisador emérito Elon Lages Lima (1929-2017). Começou na secretaria dos pesquisadores e foi, aos poucos, desenvolvendo outras atividades. Na então Divisão de Divulgação e Informação Científica, em uma época anterior às facilidades de publicadores de texto, aprendeu novas habilidades, como o LaTeX, sistema de edição de texto usado em meios acadêmicos e científicos e também em editoras.

“Para inserir a informação era necessário digitar os comandos do HTML”, diz, citando o imenso prazer em ter sido responsável pela livraria virtual do IMPA e trabalhado na produção de livros editados pelo instituto. Só nas três das principais coleções – Projeto Euclides, Matemática Universitária e Matemática e Aplicações –, foram cerca de 60 títulos, sem falar nas publicações do Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM). 

Maria também integrou a equipe responsável pela preparação e aplicação dos módulos do Programa de Aperfeiçoamento de Professores do Ensino Médio (PAPMEM), realizado desde a década de 1990, e a publicação da Revista do Professor de Matemática. “Amava o que eu fazia”, diz ela, que pretende tornar mais frequentes as caminhadas pelo calçadão da praia do Leblon (Zona Sul) e finalmente realizar, com um de seus dois filhos, a adiada viagem à Itália, terra dos pais.

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