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8 de May de 2018, 11:46h

Folha: Pesquisador do Impa foi referência na Matemática

Reprodução da Folha de S.Paulo

Manfredo Perdigão do Carmo era um garoto em Maceió quando tirou nota baixa na prova de inglês. O francês já dominava, mas ainda faltava entender a língua inglesa. Ouviu falar de um certo professor, o melhor da cidade, mas as lições eram caras.

Tratou de conseguir o livro usado pelo mestre. Sempre que havia aula, se postava do lado de fora da casa do docente, na surdina, ouvindo pela varanda o que era ensinado. E assim aprendeu inglês.

Não é pelo talento para línguas, porém, que Manfredo ganhou notoriedade. Pesquisador emérito do Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada), ele é um dos maiores responsáveis pela consolidação da geometria diferencial como área de pesquisa no Brasil.

Manfredo chegou ao Impa em 1959, quando o instituto ainda dava seus primeiros passos, trazido por um amigo de infância. Engenheiro de formação, ele começou ali, como estagiário, a carreira de matemático.
 

Anos depois, já submerso na área, foi fazer doutorado nos Estados Unidos, na Universidade da Califórnia. Foi orientado pelo chinês Shiing-Shen Chern, uma das maiores referências em geometria diferencial do mundo.

De volta ao Brasil, retornou ao Impa, onde, além da atividade de pesquisa, foi professor. Tinha fama de hipnotizar os alunos, e suas aulas, assim como os livros que publicou, tratavam de forma simples e didática assuntos deveras complexos e abstratos.

Morreu no dia 30 de abril, no Rio de Janeiro, aos 89 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. Deixa a mulher, Leny, com quem passou 52 anos de sua vida. Também ficam os filhos, Manfredo Júnior e Claudia, e o neto, João.