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19 de September de 2018, 18:17h

Como entrar em uma obra de Shakespeare?

Que tal uma imersão em uma obra de William Shakespeare? Se ao ouvir o convite a primeira ideia que vem à cabeça é passar o fim de semana mergulhado na leitura de algum livro do dramaturgo, você não tem ideia de como a realidade virtual pode ampliar seus horizontes.

No seminário apresentado na tarde desta quarta-feira, Luiz Velho, coordenador do Visgraf, Laboratório de Computação Gráfica do IMPA, mostrou uma nova possibilidade narrativa criada com a plataforma VR Kino Theater: um passeio virtual e imersivo por uma das obras do bardo inglês.

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Durante um breve histórico do experimento do Visgraf intitulado “The Tempest” – que une teatro, cinema, realidade virtual e tecnologia de jogos, numa releitura do que teria sido derradeira obra de Shakespeare, escrita entre 1610 e 1611 -, Velho detalhou as duas formas de fruição do trabalho já apresentadas ao longo deste ano – audiovisual não imersiva e 360º Cinematic. Depois, contou que a etapa da pesquisa surgiu da necessidade de ampliar a interação com o público.

Como a obra de Shakespeare foi criada seguindo as especificidades de uma peça de teatro, para aumentar a desejada participação do público foi necessário modificar a estrutura da história, construindo uma nova linguagem. Isso foi possível por meio de uma metanarrativa, ou seja, uma narrativa sobre a narrativa, explicou Velho.

Para isso, além de a história tradicional de Shakespeare ter sido transportada para um ambiente de realidade virtual, o público entrou em cena, como guia e também como convidado do tour virtual pela obra de Shakespeare.  O uso do equipamento VR Kino Theater permitiu que o participante ficasse lado a lado dos avatares dos atores que encenam “The Tempest”, alcançando assim a imersão pretendida.

“Unimos a estrutura narrativa tradicional com as técnicas mais avançadas de realidade virtual. Qualquer tipo de conteúdo feito para uma fruição passiva tem uma estrutura narrativa e uma linguagem que não permitem a interação desejada. Mas se você está contando uma história sobre aquela história, isso é possível. E são inúmeras as possiblidades”, destacou Velho.

No seminário, o coordenador do Visgraf apresentou duas versões do estudo, com guia humano e guia virtual, chamado Juá – no vídeo acima, ele é representado pelo ator Ivan Faria. O experimento ainda contou com outros participantes: convidados que usam o equipamento de realidade virtual; convidados que acompanham o desenrolar das cenas, como se estivessem em uma plateia de cinema; diretor e equipe técnica.

Luiz Velho detalha nova etapa da pesquisa em realidade virtual

Velho observou também as peculiaridades de contar uma história que une elementos tradicionais e virtuais, na qual é necessário considerar o espaço físico e o recriado por computador. “Para isso, temos o conceito de spots. Mapeamos a região onde estão as pessoas e também os lugares. E até podemos explorar objetos tangíveis, por exemplo. Só é preciso tomar cuidado para que a pessoa não sente em uma cadeira virtual e caia no chão.”

E para quem ficou surpreso com a existência de matemática em um experimento baseado em Shakespeare, o coordenador do Visgraf explicou que, na fase de representação do tour, há uma estrutura computacional: “É um grafo. Dá para criar muita coisa matematicamente. São novos conceitos de narrar, usando conceitos sofisticados de matemática e de linguagem”.

Não é surpreendente a matemática?

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